Próxima viagem é até Lisboa, capital de Portugal e cidade natal dos Drill. Conheci-os à relativamente pouco tempo através do EP “This Is Not A Drill” de 2007, o qual me despertou a curiosidade em saber um pouco mais sobre estes três rapazes  que gostam de perfurar. Entretanto, editaram recentemente um novo trabalho, que vem confirmar a minha suspeita de que estava na presença de um projecto no mínimo interessante. Esse trabalho chega-nos mais uma vez em formato EP, chama-se “3″, é constituído por 6 temas e foi um dos principais temas de conversa entre o Marsupilami e o Manel – guitarra e voz dos Drill.

_PLP9355xAntes de mais, quem são os Drill?

Os Drill são Manel (guitarra/voz), Ghitaj (bateria/voz) e João Neves (baixo), foram António Pedro (baixo) e Francisco Rebelo (baixo).

Esta aventura começou quando e como?

Esta aventura começou em 2004 quando eu (Manel) e o António Pedro pensamos em fazer uma banda com um som mais rock, mais cru e directo, na altura tocávamos ambos com os Jack & os Estripadores que era sobretudo rock blues. Conhecemos o Ghitaj que na altura nos alugava uma sala de ensaio em Mosacavide e convidámo-lo para tocar bateria connosco. Fomos jamando ensaio após ensaio e as coisas começaram a sair. O primeiro concerto foi em Abril de 2005.

Está cá fora o vosso novo trabalho, o EP “3”, o qual vem mais produzido, mais coeso e arrisco-me mesmo a dizer que este é o vosso trabalho mais “sério”, havendo um claro crescimento em relação ao anterior EP. Concordam com esta afirmação? E, como definem este EP?

Sim, o objectivo é sempre melhorar, é sempre tentar que o som vá de encontro às ideias e no “3″ isso já ficou mais perto. Cada vez vamos percebendo melhor o processo de composição e produção dos temas, antes não sabíamos nada. Este EP foi todo feito com mais calma, toda a base foi gravada no “namouche” em Lisboa, a mistura ficou a cargo do Alan Johannes que gravou e misturou Eagles of Death Metal e Queens of the Stone Age (com quem também tocou), enfim todo o processo foi mais sério.

Como tem sido o feedback, quer em relação a este novo trabalho, quer de uma forma geral ao som dos Drill?

Em relação ao novo trabalho o feedback tem sido bastante bom, sendo que temos tido muitos contactos de fora, já que a edição digital ficou a cargo da Poison Tree Records (EUA), isso tem ajudado a que pessoas às quais dificilmente chegaríamos nos contactem. O video clip que fizemos para o tema “surprise” também tem ajudado bastante, tem tido muito sucesso! Em relação ao som dos Drill, reparamos que a maioria das pessoas não sabe como nos catalogar, o que as confunde, sobretudo malta mais nova, por outro lado há muitas pessoas que nos dizem que à primeira audição não lhes diz nada, à segunda “ah ok” e depois então percebem e passam a ouvir continuamente. Reparamos que o nosso publico começa maioritariamente nos 30 anos. Mas nada disto é premeditado, nós só fazemos o som que queremos!

Onde é que se inspiram os Drill? Há alguma fórmula (secreta) para a composição das músicas, ou nascem de uma forma espontânea?

Há uma fórmula que tem resultado bastante e não é secreta: muita jam, passar muito tempo a tocar sem orientação definida que não o feeling, isso normalmente resulta muito bem. Acho que 90% dos temas saíram assim, há sempre muita frase musical que é aproveitada daí, depois há sempre o rasgo de inspiração que surge num momento qualquer em que um gajo diz, tenho que me lembrar disto mais tarde para levar para o ensaio…

_PLP9181xChegam à fase da divulgação. Como é que esse processo tem decorrido? Sentem algum tipo de entraves, ou dificuldades?

A música, nesta fase mais “empresarial” tem processos e dificuldades semelhantes a qualquer outra área, há sítios que tu julgas que são os melhores para a divulgação da tua música, mas que por alguma razão não consegues lá entrar, mas as coisas estão a mudar muito. (continuo na pergunta seguinte)

Ainda sobre a divulgação, acham que a internet é uma aliada ou um inimigo das bandas e projectos musicais, ou seja, tem mais vantagens ou mais desvantagens para uma banda como os Drill?

Hoje em dia tu chegas a todo o lado com os teus canais, a internet não contempla censuras e tem poucos filtros com o que isso tem de bom e mau, mas o acesso à tua música é total, só tens que fazer chegar o alerta às pessoas de que tua música está no sítio tal, isso pode demorar. Mas os canais clássicos de divulgação (radio, TV) estão a perder muito terreno em relação à internet (que é tudo isso). As vantagens da internet para as bandas são inúmeras. Sem ela não estaríamos a fazer esta entrevista…

Como elementos de uma banda rock acham que o publico português, na sua generalidade, apoia a música que se faz em Portugal?

O público português apoia bastante as suas bandas, portuguesas ou não, o problema é que não se dá ao trabalho de procurar muita coisa, não sai de casa para ver pequenos concertos, se for um estádio ou um festival, está sempre à pinha, um concerto de bar ou clube já é mais difícil. Não há a cultura de ir ver a banda que está a tocar lá em baixo na sexta à noite… Fica mais difícil que te vejam…

Em relação a espaços e iniciativas para uma banda como os Drill se apresentarem ao vivo, acham que existem, quer em quantidade quer em qualidade no nosso país?

Espaços há cada vez mais, alguns com qualidade, iniciativas há também bastantes, sobretudo fora das grandes cidades, acho que nesta altura falta apenas publico.

Qual a vossa opinião em relação ao panorama musical nacional?

Há bandas muito boas, acho até que estamos num momento muito bom de produção de música em Portugal.

E, sobre o estado geral do país?

O País vai mal, está podre, há que reagir, mas com cabeça.

E agora, o que se segue? Próximos passos dos Drill?

Estamos a ter ideias, estamos a pensar dar música, mas de verdade, o próximo álbum estamos a pensar dá-lo dum modo faseado… mas isto ainda é apenas uma ideia… e queremos tocar ao vivo, sempre!

Uma última pergunta: qual a vossa personagem de banda desenhada preferida?

Bem, a minha é o Corto Maltese…

_PLP9336xCuriosidades:

Como surgiu o nome Drill?

Drill surgiu num urinol da concentração de motos de Elvas, era um concerto de Jack & 0s Estripadores e o urinol era uma placa de zinco, com 80cms que nos permitia ver a planície à noite enquanto lá estávamos, o primeiro nome até era Thrill Drill, mas com os copos não era fácil de dizer…

No fundo a ideia de perfuração, simulacro, broca, agrada-nos!

Influências?

Muito blues/rock dos 70’s, jam bands e até rock sinfónico!

Bandas ou projectos nacionais que têm ouvido?

O ultimo disco que comprei português foi o do Sean Rilley, que está muito bom, na mesma altura comprei um reedição da Lena D’Água de ’81 chamado “Perto De Ti”, que gosto. O último concerto português que me impressionou foi o dos Mao Morta no cinema São Jorge em Lisboa, que malha!

www.myspace.com/drillsound

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