O que o português quer o português tem.
Não sei o porquê exacto do título mas sei que é mais que urgente perceber, que esta necessidade da chico-espertice, é um bem inerente ao nosso tão querido Portugal. Sou eu, és tu, são eles, todos nós praticamos a chico-espertice, de uma maneira ou de outra, sim, porque o português desenrasca. Mas como de música falo e em música me baseio, porque acho que é isso que é a minha vida, desfaço-me em mil quando vejo que os editors, vêm cá cantar e têm a gentileza de convidar a menina dos Red Shoes para cantar o seu single. Nem sei exactamente do que falo, pois a informação foi-me passada na minha mais recente ida ao café. Ora bem, há aí gente a mexer-se muitíssimo bem. Queixamo-nos que a música isto e aquilo e Portugal não tem indústria nem isto nem aquilo e afinal vai-se a ver e a coisa toca só a alguns. Ok, Davide, já sabias isto. Mas continuando. A Ana Moura travou, muito recentemente, uma relação profissional, chamemos-lhe assim, com o Prince e qual a minha surpresa quando vejo, anunciado no cartaz do Super Bock o Prince. Fiquei de queixo caído. Ora bem, primeiro por ser o Prince e por eu já nem ter dinheiro para os nomes que têm vindo a ser anunciado, para outros festivais, e por ficar com uma dor por saber, que muito provavelmente, não vou ter dinheiro para este também. Perder um concerto do Prince devia ser punido com cadeia, qual consumir drogas, qual conduzir com 0.5 de alcool no sangue, qual quê! Perder um concertão deste senhor é que sim! Tal como perder o concerto que o B. B. King vai dar, no próximo sábado, de borla, na aldeia de Sabrosa. Isto há lá coisas. Por isso eu digo, o português quer, o português tem (e não nos chamem de tugas que nós somos de Portugal, não de Tugal). Isto dá-me um bocado que pensar. Por um lado fico felicíssimo por ver que grandes nomes e grandes bandas, que desde sempre nos fizeram vibrar, vêm tocar cá, por outro estou algo intrigado se isto, de ser sempre para os mesmos não será assim no mundo inteiro. Ora bem, eu adoro os Muse. Já os vi umas três vezes, mas se bem me lembro vieram ao último Rock in Rio, vieram ao Atlântico com os magníficos Biffy Clyro e vêm agora ao Rock in Rio outra vez. Estou confuso. É até se esgotar? Na, deve ser para aproveitar enquanto mete gente. Os meus parabéns às organizações. Por um lado fico, mais uma vez, a rebentar de felicidade, por outro confuso. Mas, bem… Parece-me que o português queria coisas de grande envergadura, eventos grandes, para inglês ver, e conseguiu, conseguiu manter o alternativo, veja-se os Gallows em Paredes de Coura (porra, como é que vou ter dinheiro para ir ver isto tudo?), ou até mesmo o cartaz do festival Marés Vivas que está a crescer a olhos vistos! O PORTUGUÊS QUER O PORTUGUÊS TEM! Até podia entrar pela conversa da crise adentro, mas para quê? Só hão-de custar bem mais de dez mil euros, para ter um tecto mínimo, cada banda que referi acima e as marcas pagam, com a publicidade, e os promotores pagam, com a publicidade e nós pagamos, com o dinheiro do bilhete e no fim toda a gente fica feliz. Não estou a perceber qual é o drama… Ah, já me lembro. Gostava que os Mosh estivessem num desses festivais. Se ainda ao menos fossem de Lisboa… Gostava que os Homem Mau tivessem num desses festivais. Se ainda ao menos fossem de Lisboa… Ora bem, é algo recorrente, falar destes nomes. Os Kandia são também um nome que refiro com frequência, ah, desculpem, não são de Lisboa. Não entendo. Bandas do género que os festivais têm aceite e nada, não há um convite. Bons discos, boas músicas, cada qual no seu género, claro que não para agradar a todos, mas bons no seu género e vai-se a ver e tem que ser tudo a ferros. É que tinham-me dito que com um disco para mostrar a coisa já lá vai. Que se tiverem fãs a coisa já lá vai. Que se houver gente interessada a coisa já lá vai. É que não entendo mesmo, estas três bandas referidas acima têm todo o potencial para se tornarem tão grandes como qualquer uma das que estão nos nossos grandes festivais, têm todas as condições para dar um granda show e deixarem toda a gente boquiaberta e vai-se a ver e… ah, afinal não dá, vamos ter que meter aqui outra banda, de fora… Eu não quero nem vou estar com a conversa do que é nacional é bom porque há nacional bem mau, mas por favor, é como andar à procura do cigarro que perdemos e ele estar atrás da orelha. Porra. Levem as bandas a tocar, paguem-lhes para que elas possam continuar! Paguem cinco mil euros e as bandas já conseguem gravar outro granda disco com o dinheiro de um concerto. Caramba, é preciso ser um génio para perceber que quanto mais deixarem as pessoas ouvir estas coisas mais elas vão querer ouvir? É difícil entender que mais cedo ou mais tarde os teimosos vos vão partir a casa toda? É difícil entender? O PORTUGUÊS QUER O PORTUGUÊS TEM. Pode não ser agora agora, mas há-de conseguir.
Davide Lobão | www.facebook.com/davidelobao
Popularity: 8% [?]



One Trackback