Panorama

Sentem-se todas as curvas, contra-curvas e lombas da estrada em direcção à Cidade do Rock, quando a band van é de há vinte anos atrás e deita fumo por todos os lados em longas viagens. Nessa estrada andamos todos, há já algum tempo, e a paisagem tende a desanimar um bocado. Estará na altura de fazer um desvio e apanhar a auto-estrada?

A verdade é que as coisas não estão assim tão mal para a música portuguesa. A partir do momento em que oiço artistas/bandas como Diabo na Cruz, Tara Perdida ou Tiago Guillul na rádio, acredito que hajam por aí portas e portas com tapetes a dizer “Aceita-se qualquer coisa… Mesmo!”. Isso, ou as mentalidades mudaram muito e ninguém avisou ninguém.

Uma parte de mim revela exclusão e indignação, por pensar que “isto também eu tocava se não achasse tão ridículo”, enquanto que a outra se ri desalmadamente com as letras, videos no Youtube e My Spaces. Dá vontade de pegar na guitarra e fazer bom rock, assim como de partir-la toda contra uma parede.

Espero que abundem datas e oportunidades, porque cheira-me que, no fundo, o que todos querem é chegar ao fim do mês e conseguir pagar as contas – o que justifica quase tudo o que um gajo faz na vida. E também porque as agendas cheias podem vir a dificultar a gravação de novos discos.

Acredito que haja espaço para toda a gente neste geográficamente pequeno país. Cabe a nós fazermos com esse espaço o melhor que podemos, para bem de nós próprios e para bem da nossa cultura.

É que, por um lado, somos todos românticos e até gostamos da paisagem e nos habituámos a ela. Por outro, dava jeito chegar á Cidade do Rock o mais depressa possível.

Zé Miguel Grandão Jr. | www.myspace.com/billyhanashi

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